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Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #39: O mal da contracepção e a ética da fertilidade

A realidade da contracepção nada mais é do que a de evitar de forma voluntária uma gestação, e isso pode acontecer antes, durante ou após um ato conjugal. Esta prática, entretanto, é condenada pelo magistério da Igreja, por vários motivos de ordem moral, porém São João Paulo II destaca que a contracepção ignora a capacidade do ser humano de dominar a si mesmo através da virtude, para que não se renda ao ato instintivo da busca pelo prazer simplesmente: Ele, o autodomínio, de fato, corresponde à constituição fundamental da pessoa: é um método perfeitamente ‘natural’. Pelo contrário, a transposição dos ‘meios artificiais’ quebra a dimensão constitutiva da pessoa, priva o homem da subjetividade que lhe é própria e torna-o um objeto de manipulação.” (TdC 122). Deste modo, ele afirma que o autodomínio é uma prática própria da natureza humana, o que o torna verdadeiramente livre e capaz de ordenar suas paixões.

São João Paulo II reconhece as dificuldades de se viver sexualidade matrimonial sem se render as inclinações próprias da carne, porém ensina que é justamente na vivência e no desenvolvimento do autodomínio que vamos nos tornando ‘senhores de nós mesmos’, ou seja, de agir como autênticos seres humanos e não como meros animais que não possuem esta capacidade. A Teologia do Corpo pretende ensinar que a verdadeira compreensão da sexualidade humana só é possível quando se pretende enxergar o ser humano por completo: “O corpo humano não é apenas o campo de reações de caráter sexual, mas é, ao mesmo tempo, o meio de expressão do homem integral, da pessoa, que se revela a si mesma através da ‘linguagem do corpo’. Esta ‘linguagem’ tem um importante significado interpessoal, de modo especial quando se trata das relações recíprocas entre o homem e a mulher.” (TdC 122). A relação sexual entre um homem e uma mulher precisam ser compreendidos em um sentido que vai além do prazer, e este por sua vez não pode ser tratado como uma finalidade desta relação, mas como sua consequência.

A Igreja sempre ensinou, e a Teologia do Corpo ratifica e explica, que o matrimônio possui uma dupla finalidade: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida. Ambos passam pela realidade do ato sexual, porém a busca pelo prazer (fruto desta relação) deve ocorrer de modo a consumar na alegria a união do casal e a abertura a vida. Aqui está a interpretação desta ‘‘linguagem do corpo’’ que tanto nos fala o Papa. Ele assim continua o que afirmava acima: “Além disso, as nossas análises precedentes mostram que, neste caso, a ‘’ linguagem do corpo’’ deve expressar, num determinado nível a verdade do sacramento. Participando do eterno Plano de Amor (mistério escondido em Deus), a ‘’ linguagem do corpo’’ torna-se, de fato diria, um ‘’ profetismo do corpo’’.” (TdC 122). Deste modo, o matrimônio cumpre sua missão e o corpo realiza de modo pleno, no âmbito da união entre o homem e a mulher, sua ‘’ profecia’’.

Porém esta realidade só pode ser vivida plenamente tendo em vista a busca da virtude. Para São João Paulo II o autodomínio é o prática fundamental no qual o homem e a mulher poderão viver a intimidade conjugal de forma livre, pois só quando a pessoa si domina é capaz de si doar: “O homem é pessoa precisamente porque possui a si mesmo e tem domínio sobre si mesmo. De fato, na medida em que é senhor de si mesmo pode ‘‘dar-se’’ ao outro. E é esta dimensão (a dimensão da liberdade do dom), que se torna essencial e decisiva para a ‘‘linguagem do corpo’’ em que o homem e a mulher se exprimem reciprocamente na união conjugal.” (TdC 123). Esta liberdade alcançada pelo autodomínio torna o homem e a mulher capazes de si entregarem verdadeiramente um ao outro na sua totalidade, ou seja, não apenas sua dimensão física, mas também sua alma (intelecto e vontade), de modo que quando o prazer se esvai a decisão permanece a mesma.

É muito comum que depois de um ato sexual movido apenas pela busca do prazer (como finalidade) haja arrependimentos e frustrações. Isso ocorre não apenas fora do matrimônio, mas até mesmo entre os casados. Quando um casal, por exemplo, pretende buscar somente o prazer sexual, fechado a transmissão da vida por meio da contracepção, ele acaba por esvaziar o sentido primordial da ‘’ linguagem do corpo’’ que é o amor. Sobre isso o Papa explica: “Por conseguinte, em tal caso, quando o ato conjugal se encontra destituído da sua verdade interior por estar privado artificialmente da sua capacidade procriadora, ele deixa de também de ser um ato de amor.” (TdC 123). Esta afirmação eleva a um outro nível as exortações já expostas na Humane Vitae sobre a contracepção, pois agora não se trata apenas de uma prática ilícita ou imoral, mas também de algo que afeta o amor e o sentido do matrimônio.

Portanto, o caminho para se viver de forma livre e plena a ‘ética da fertilidade’ está na consciência e no domínio de si. São João Paulo II destaca aqui alguns pontos fundamentais da Encíclica Humane Vitae sobre a ética sexual no matrimônio, mas traz também uma leitura, de certa forma original, desta norma sexual através da ‘linguagem do corpo’:

“A Encíclica salienta bastante claramente que aqui não se trata só de uma determinada ‘técnica’, mas da ética, no sentido estrito do termo, como moralidade de um certo comportamento.” (TdC 124);

– “Como ser racional e livre, o ser humano pode reler o ritmo biológico e se deixar modelar a ele a fim de exercitar a ‘maternidade e paternidade responsável’. O conceito de uma regulação da fertilidade moralmente correta nada mais é do que reler a ‘linguagem do corpo’ na verdade.” (TdC 125);

– “Mostrando o mal moral do ato contraceptivo, e delineando, ao mesmo tempo, tão completo quanto possível, um quadro da prática ‘honorável’ da regulação da fertilidade, ou seja da paternidade e da maternidade responsáveis, a Encíclica Humanae Vitae cria as premissas que permitem traçar as grandes linhas da espiritualidade cristã da vocação e da vida conjugal, e, de igual modo, da espiritualidade dos pais e da família.” (TdC 126).

É possível perceber aqui que São João Paulo II procura com a Teologia do Corpo explicar e afirmar com precisão tudo o que na Humanae Vitae o Papa Paulo VI desenvolveu. Mas é preciso ainda responder com precisão o problema: mas então, qual é o método recomendado pela Igreja? Poderíamos aqui responder com uma lista dos métodos naturais que hoje existem, que não ferem a dignidade da moral sexual e que não agem de forma contraceptiva, mas como meio legítimo de regulação da fertilidade. No entanto, São João Paulo II responde: “Dissemos anteriormente que as raízes deste problema encontra-se na teologia do corpo: é essa teologia que na verdade constitui o ‘método’ honorável de regulação de natalidade compreendido no sentido mais profundo e completo.” (TdC 125).

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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