Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #37: A norma moral e a Verdade da ‘linguagem do corpo’

Uma das principais motivações do Papa São João Paulo II em tratar deste importante tema, acerca do que ele mesmo chamou de ‘Teologia do Corpo’, foi explicar a essência e o fundamento do amor humano no plano divino, para assim trazer novamente os pontos abordados na encíclica ‘Humanae Vitae’ e explica-los com a propriedade de quem examinou toda a realidade da sexualidade humana a luz do evangelho. Ele mesmo explica que: “As reflexões, até agora desenvolvidas sobre o amor humano no plano divino, ficaram de algum modo incompletas se não procurássemos ver nelas a aplicação concreta no âmbito da moral conjugal e familiar. Queremos utilizar este passo ulterior, que nos levará a conclusão do nosso já longo caminho, com base em um importante pronunciamento do Magistério recente: a Encíclica Humanae Vitae (HV), que o Papa Paulo VI publicou em julho de 1968. Iremos reler este significativo documento à luz das conclusões a que chegamos quando examinamos o plano divino original e as palavras de Cristo, que a ele se referem.” (TdC 118). Com esta explicação São João Paulo II, inicia a conclusão de sua ‘Teologia do Corpo’ analisando os conceitos e princípios defendidos por seu antecessor.

A Igreja sempre ensinou que o matrimônio possui uma dupla finalidade: O bem dos cônjuges e a transmissão da vida”. Assim explica o Catecismo da Igreja Católica: Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimónio: o bem dos próprios esposos e a transmissão da vida. Não podem separar-se estes dois significados ou valores do matrimónio sem alterar a vida espiritual do casal nem comprometer os bens do matrimónio e o futuro da família. O amor conjugal do homem e da mulher está, assim, colocado sob a dupla exigência da fidelidade e da fecundidade.” (CIC § 2363). Seguindo nesta mesma direção a Encíclica ‘Humanae Vitae’ do Papa Paulo VI diz que o ato conjugal possuem dois significados: unitivo e procriativo (cf. HV 11-12). Para melhor explicarmos estes termos e estabelecermos sua relação, pode-se ilustrar com o seguinte quadro:

NO MATRIMÔNIO CRISTÃO
Dupla finalidade: O Bem dos Cônjuges A Transmissão da Vida
Dupla exigência: Fidelidade Fecundidade
Duplo significado: Unitivo Procriativo

Sobre esta realidade dupla vivida no matrimônio, o Papa reforça que são finalidades, exigências e significados complementares e também inseparáveis, de modo que, na tentativa de buscar uma coisa ignorando a outra, o matrimônio terá prejuízos enormes, afetando assim toda vivência saudável das relação conjugal e familiar. Ele mesmo afirma: “Não se trata, aqui, de outra coisa senão de ler na verdade a ‘linguagem do corpo’, como foi dito diversas vezes nas precedentes análises bíblicas. A norma moral, ensinada constantemente pela Igreja neste âmbito, e recordada e reconfirmada por Paulo VI na sua Encíclica, deriva da leitura da ‘linguagem do corpo’ na verdade. O que está em jogo aqui é a verdade, primeiro na dimensão ontológica (estrutura íntima) e, depois, como consequência, na dimensão subjetiva e psicológica (significado). O texto da encíclica salienta que, no caso em questão, estamos lidando com uma norma da lei natural.” (TdC 118). Esta verdade expressa pela ‘linguagem do corpo’ possui, portanto, a dimensão própria do ser (ontológico) e a dimensão da pessoa (psicológico). Deste modo, a norma moral precisa considerar tanto a natureza do ser humano quanto as particularidades de cada pessoa.

Para compreender esta norma que rege o ser humano no que se refere ao modo de vida, ou seja, em sua vivência moral e ética, principalmente nas relações entre o homem e a mulher, o Papa São João Paulo II afirma que esta norma encontra fundamentação tanto na lei natural quanto na revelação divina: “(…) Torna-se evidente que a mencionada norma moral faz parte não só da lei moral natural, mas também da ordem moral revelada por Deus”. (TdC 119). O Papa ainda reforça na mesma catequese a importância de considerar a lei moral sem desconsiderar a verdade expressa na revelação divina contida na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, visto que não há oposição, pelo contrário, ambas se completam para apresentar o homem total, corpo e alma. Ele diz que: “A norma da lei natural, baseada neste ethos da redenção do corpo, encontra não só uma nova expressão, mas também um mais pleno fundamento antropológico e ético quer na palavra do Evangelho, quer na ação purificadora e corroborante do Espírito Santo.” (TdC 119). Assim, São João Paulo II reafirma a proposta de apresentar uma ‘Antropologia Adequada’, ou seja, uma visão que não fragmente o ser humano, mas que expresse toda a sua essência, natural e sobrenatural.

Para concluir esta parte de sua reflexão, o Papa São João Paulo II reforça a importância e o valor, por muito tempo ignorado e até desprezado, da Encíclica do Papa Paulo VI: “A Encíclica Humanae Vitae quer ser, de fato, uma resposta às questões do homem e mulher contemporâneos”. (TdC 120). Nesta mesma catequese, o Papa quer também refutar os ataques que esta publicação do Papa Paulo VI sofreu, dentro e fora da Igreja, principalmente devido as críticas claras feitas acerca da contracepção e as orientações sobre a moral sexual: “(…) Quem julga que o Concilio e a Encíclica não levam suficientemente em conta as dificuldades presentes na vida concreta não compreende a preocupação pastoral que deu origem a estes documentos. Preocupação pastoral significa buscar o verdadeiro bem do homem, a descoberta cada vez mais clara do desígnio de Deus sobre o amor humano, na certeza de que o único e verdadeiro bem da pessoa humana consiste em colocar este plano de vida em ação.” (TdC 120).

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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