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Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #33: Cântico dos Cânticos

O conceito de ‘linguagem do corpo’ é amplamente refletido na segunda parte das catequeses, no qual o Papa fala sobre o celibato e o matrimônio. São João Paulo II pretende explorar a verdade acerca desta linguagem, a fim de revelar o real sentido e significado do corpo. Mas para isso ele precisou ilustrar sua explicação, e o fez do mesmo modo que desenvolveu toda esta Teologia: por meio da Sagrada Escritura. O livro escolhido para ilustrar a ‘linguagem do corpo’ foi o Cântico dos Cânticos, livro que muitos místicos e doutores da Igreja já haviam mergulhado para refletir sobre o amor de Deus com a humanidade, mas aqui São João Paulo II mantém o foco no amor humano, para apresentar a ‘linguagem do corpo’ relida na verdade. Ele mesmo explica o motivo: “Com relação a reler a ‘linguagem do corpo’ na verdade, devemos analisar, ainda que de modo sumário, o Cântico dos Cânticos. Este livro pode ser tomado simplesmente pelo que manifestamente é: uma canção sobre o amor humano. O amor do esposo e da esposa no Cântico dos Cânticos é um tema por si só. Isso, claramente, não exclui a possibilidade de falar de um ‘sentido mais amplo’ do livro.” (TdC 108). Este sentido mais amplo é que levou muitos santos a considerarem o Cântico dos Cânticos um grande louvor do ‘amor esponsal’, mas nenhum outro mergulhou tão fundo na relação da feminilidade e da masculinidade a luz deste livro como São João Paulo II.

Não seria possível aprofundar no conceito da ‘linguagem do corpo’ sem considerar o ‘mais belo canto do amor humano’ que é o livro do Cântico dos Cânticos (por isso recebe este nome), pois a demonstração recíproca de amor entre a esposa e o esposo passa diretamente pela admiração dos seus corpos e de seus movimentos. É deste fascínio que o livro se utiliza para desenvolver toda poesia de seus versos, fascínio semelhante aquele de Adão ao contemplar Eva pela primeira vez: “Eis agora aqui, o osso dos meus ossos e a carne da minha carne…” (Gn 2, 23). Ambas as expressões de amor tem como foco o corpo. Deste modo, se faz necessário resgatar a verdadeira linguagem de amor que se propõem, pois isso rompe totalmente a deturpação pela qual a erotização sexual e as relações humanas tem tomado neste tempo. Tanto o trecho citado acima, quanto o livro do Cântico dos Cânticos expressam a admiração do corpo com pureza e não com cobiça.

O Papa explica a necessidade de compreender esta admiração do corpo a luz do verdadeiro amor, e como isso é explicitamente demonstrado no livro do Cântico dos Cânticos: “Mesmo uma análise superficial do texto do Cântico dos Cânticos nos permite escutar a ‘linguagem do corpo’ nesse fascínio recíproco. O ponto de partida bem como o ponto de chegada para esta fascinação – estupefação e admiração recíprocas – são, na verdade, a feminilidade da esposa e a masculinidade do esposo, na experiência direta de suas visibilidades. As palavras de amor ditas por ambos estão, portanto, concentradas no ‘corpo’, não tanto porque o corpo em si mesmo constitui a fonte do fascínio recíproco, mas acima de tudo porque a atração pela outra pessoa – para com o outro ‘eu’, feminino ou masculino, que no impulso interior do coração dá origem ao amor – está ligada diretamente ao corpo. Adicionalmente, O amor desencadeia uma particular experiência do belo, que se concentra naquilo que é visível, mas que, não obstante, envolve ao mesmo tempo a pessoa inteira. A experiência do belo faz brotar o prazer, que é recíproco.” (TdC 108). O prazer, portanto, não é a finalidade da relação do casal do Cântico dos Cânticos, mas surge como consequência do fascínio do belo expresso em seus corpos. Esta admiração recíproca pautada na pureza de coração, promove uma exaltação do Criador e o prazer da presença, fruto do amor verdadeiro.

Ao contemplarem a beleza do corpo sem o desejo de possuírem um ao outro de modo utilitarista, ou seja, tendo em vista a busca pelo prazer egoísta, a satisfação do encontro vai além da experiência superficial do momento, mas pelo contrário, cresce e se aprofunda. Além disso, o corpo expressa a linguagem desta admiração sem a necessidade de palavras: “Tanto a feminilidade da esposa (a amada) quanto a masculinidade do esposo (o amado) falam sem palavras: a linguagem do corpo é uma linguagem sem palavras.” (TdC 109). O fascínio do feminino pelo masculino (e vice versa) que fisicamente se completam, quando vão além desta admiração física revelam algo ainda maior: a união das almas. Estas tendem a refletir como sinal visível a união de amor que o Criador pretende realizar com sua criatura e, portanto, é sinal da santidade que Deus quer operar em nós. Sobre isso São João Paulo II disse que: “A presença destes elementos neste livro que faz parte do cânon da Sagrada Escritura mostra que eles e a correspondente ‘linguagem do corpo’ contêm um sinal primordial e essencial para a santidade.” (TdC 109). Foi para isso que Deus nos criou, como diz São Paulo “não para impureza, mas para santidade” (cf. I Tess 7), por isso nossa santificação e comunhão com Deus passa diretamente pelo nosso corpo.

O corpo é o instrumento pelo qual Deus quis que expressássemos o amor. Não somos anjos, ou seja, puros espíritos, temos um corpo que precisa ser resignificado, já que o pecado o desfigurou. Neste sentido, reler a ‘linguagem do corpo’ na verdade é algo essencial para encontrarmos o real sentido de nossa sexualidade. O livro do Cântico dos Cânticos em alguns momentos chama o esposo e a esposa de irmão e irmã, para demonstrar a relação filial de ambos, pois todos os homens e mulheres são filhos do mesmo Pai: “O termo ‘irmã’ usado no Cântico pertence certamente à ‘linguagem do corpo’ relida na verdade do amor esponsal.” (TdC 109). “Um específico senso de pertença comum se segue. O fato de que eles se sentem como irmão e irmã os permite viver sua proximidade recíproca na segurança, encontrando suporte nesta intimidade. (…) Daqui, consequentemente, surge a paz de que a esposa fala.” (TdC 110). Este olhar desperta o respeito recíproco, pois nossos corpos não são instrumentos para o prazer egoísta, mas sim para o amor generoso.

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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