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Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #34: Um Jardim fechado, uma fonte selada

O livro do Cântico dos Cânticos é coberto de versos poéticos que demonstram um amor profundo entre o esposo (amado) e a esposa (amada). Ambos expressam este amor de modo apaixonado, porém uma paixão que vai além do modo superficial que geralmente percebemos nos relacionamentos atuais. Por isso, se trata de um amor profundo, que vê o que está dentro, sem deixar de admirar a beleza da aparência, mas que por meio deste é conduzido ao interior e por isso vai muito além do sentimento, é um olhar que enxerga o ser da pessoa. Por isso, esta narrativa foi escolhida por São João Paulo II para ilustrar o que há de mais belo no amor humano: o desejo por comunhão. Isso está na contramão do desejo utilitarista de se aproveitar do outro temporariamente, apenas por um momento de prazer. O amor é doação que vence o egoísmo e visa a união com a pessoa amada.

O livro também está repleto de analogias. Uma delas é o considerar a esposa como um ‘jardim fechado’ e uma ‘fonte selada’, que São João Paulo II explica da seguinte forma: “A metáfora do ‘jardim fechado, fonte selada’ revela a presença de outra visão do mesmo ‘eu’ feminino. (…) A esposa amada aparece aos olhos do esposo amado como um ‘jardim fechado’, e como ‘fonte selada’, ou ela fala a ele com aquilo que parece mais profundamente escondido na estrutura toda de seu ‘eu’ feminino, que também constitui o mistério estritamente pessoal da feminilidade. A esposa amada se apresenta aos olhos do homem como senhora do seu próprio mistério. Pode-se dizer que essas metáforas expressam a plena dignidade pessoal do sexo – daquela feminilidade que pertence a estrutura pessoal.” (TdC 110). O modo como o esposo vê a sua esposa, ao fazer tal comparação, é de um profundo respeito e consideração da sua dignidade, ou seja, vê nela um mistério a ser revelado pelo amor, e não um meio pelo qual satisfará os seus desejos.

Deste modo, voltamos a avaliar a realidade da ‘linguagem do corpo’ que, como afirma o Papa na Teologia do Corpo, deve ser relida na verdade. O corpo aqui é visto como algo sagrado e inviolável, do qual apenas o amor é a chave capaz de desencadear o que está fechado, selado: “A ‘linguagem do corpo’ relida na verdade anda de mãos dadas com a descoberta da inviolabilidade interior da pessoa. Ao mesmo tempo, precisamente essa descoberta expressa a autêntica profundidade do pertencer recíproco dos esposos, a consciência iniciante e crescente de pertencer um ao outro, de ser destinado um ao outro: ‘Meu amado é meu, e eu sou do meu amado’.” (TdC 110). Qualquer tentativa de uso, torna-se, portanto, uma violência, mesmo que a pessoa ofereça a si mesma. Como o corpo, e também o sexo, são sagrados, não devem ser entregues de qualquer modo. O sacramento do matrimônio é o meio pelo qual possibilita que o amor recíproco entre o esposa e a esposa, sejam declarados publicamente, abençoado por Deus e (somente) em seguida, consumado na intimidade conjugal.

No final do livro do Cântico dos Cânticos o autor expressa poeticamente a grandeza deste amor, que provado pela espera e pela pureza se torna ‘forte como a morte’, ou seja, incapaz de resistir, inevitável. Assim com é o amor de Deus por nós: “Por que o amor é forte como a morte e é cruel, como o abismo, o ciúme: suas chamas são chamas de fogo, labaredas divinas. Águas torrenciais não puderam extinguir o amor, nem rios poderão afoga-lo.” (Ct 8, 6-7). São João Paulo II define este trecho da seguinte forma: “Aqui atingimos, em certo sentido, o ápice de uma declaração de amor. (…) Á luz dessas palavras sobre o amor, que é forte como a morte’. Encontramos o fechamento e o coroamento de tudo no Cântico dos Cânticos.” (TdC 111).

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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