Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #28: Analogia esponsal

São João Paulo II utiliza muito da passagem de São Paulo aos Efésios, capítulo 5, para abordar a relação entre o homem e a mulher, a partir dos seus papeis, principalmente no que se refere a submissão e a sua complementariedade. Para explicar estas duas características da relação do homem com a mulher no âmbito do matrimônio, São Paulo emprega duas analogias: a de Cristo com a Igreja e a Cabeça e o Corpo. Nestas duas comparações o apóstolo busca relacionar o sacramento do matrimônio com o nosso casamento eterno com Cristo, pois todos os cristãos são a Igreja que com Ele deve se desposar. Por isso, antes de falar destas duas analogias é preciso explicar o conceito de ‘esponsal’ na Sagrada escritura.

De certa forma, este termo está presente em toda a Bíblia. Desde o primeiro livro da Sagrada Escritura nós lemos: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.” (Gn 2, 24). E no final do livro do Apocalipse São João escreve: “Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.” (Ap 21, 9b). A passagem do livro de Gêneses se refere ao primeiro casamento da história da humanidade: a união de Adão e Eva. Já no livro do Apocalipse a referência é com o último casamento: o de Cristo com sua Igreja. Portanto, a Sagrada Escritura começa e termina falando de casamento. Por este motivo São João Paulo II vai definir o matrimônio como o ‘sacramento primordial’.

Várias analogias são utilizadas na Sagrada Escritura para exemplificar a relação de Deus com o seu povo: o pastor e as ovelhas (cf. Jo 10, 11); a videira e os ramos (cf. Jo 15, 5); a galinha e os pintainhos (cf. Mt 23, 37); e etc. Porém, a analogia mais recorrente é a do noivo e da noiva, como no livro do profeta Oséias: “Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com benevolência e ternura. Desposar-te-ei com fidelidade, e conhecerás o Senhor.” (Os 2, 21-22). São vários os momentos em que o casamento é utilizado para ilustrar a relação de Deus com a humanidade. O livro do Cântico dos Cânticos é um exemplo luminoso desta analogia esponsal.

No entanto, nenhum texto bíblico é tão explicito para fazer esta relação do que a passagem de São Paulo aos Efésios. São João Paulo II diz que: “A relação que une os cônjuges, marido e mulher deve – segundo o autor da Epístola aos Efésios – ajudar-nos a compreender o amor que une Cristo com a Igreja. (…) A analogia usada na Epistola aos Efésios, esclarecendo o mistério da relação entre Cristo e a Igreja, ao mesmo tempo, revela a verdade essencial sobre o matrimônio: isto é, que o matrimônio corresponde à vocação dos cristãos só quando reflete o amor que o Cristo-Esposo dá à Igreja, Sua Esposa. (…) Como se pode ver, essa analogia opera em duas direções.” (TdC 90). No sentido aqui apresentado pelo Papa, São Paulo ao fazer a referência de Cristo com a Igreja demostra a importância real da submissão apresentada, no qual Cristo dá a sua Vida por amor a Igreja, e a Igreja também da sua vida por Cristo, deste modo, a submissão é recíproca.

A Segunda analogia, chamada de ‘analogia suplementar’ é a da cabeça e do corpo, no sentido de Cristo como cabeça da Igreja que corresponde neste deste modo ao seu corpo. Sobre esta analogia São João Paulo II diz: “Devemos tomar consciência de que no âmbito da fundamental analogia paulina – Cristo e a Igreja, por um lado, o homem e a mulher como cônjuges, pelo outro – há também uma analogia suplementar: isto é, a analogia da Cabeça e do Corpo. (…) Esta analogia suplementar ‘cabeça e corpo’ mostra que, no âmbito da passagem inteira da Epístola aos Efésios 5, 21-33, estamos lidando com dois sujeitos distintos, os quais em virtude duma particular relação recíproca, se tornam em certo sentido num só sujeito: a cabeça constitui, juntamente com o corpo, um só sujeito (no sentido físico e metafísico), um só organismo, uma só pessoa humana, um só ser. (…) Esta analogia, todavia, não ofusca a individualidade dos sujeitos.” (TdC 91).

Estas duas analogias são, portanto, demonstrações distintas de uma única realidade: devem os casais se amarem profundamente, a exemplo do modo como Cristo ama sua Igreja, para que um dia possamos todos nós, membros da mesma Igreja, nos unir a Cristo no matrimônio eterno, como um Corpo é unido a Cabeça, para juntos formarmos uma eterna comunhão.

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

           

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