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Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #27: Dimensão da aliança e da graça no Matrimônio

São João Paulo II encerra as reflexões acerca do Celibato com o seguinte direcionamento: “(…) os homens e a mulheres que voluntariamente escolheram a continência por amor do Reino dos Céus devem dar cotidianamente um testemunho vivo da fidelidade a tal escolha, escutando as diretrizes de Cristo.” (TdC 86). Isso reafirma a importância de compreender o significado desta vocação, pois o celibatário não é alguém que simplesmente decidiu não se casar, muito pelo contrário, é alguém que decidiu antecipar seu matrimônio eterno com Cristo, tamanho seu amor por esta união. Porém, na mesma catequese (86), ele também direciona os que são chamados ao sacramento do matrimônio: “O homem e a mulher, ligados ao matrimônio, devem cotidianamente, como a uma tarefa, reafirmar a união indissolúvel da aliança que fizeram entre si”. E tudo isso, afirma São João Paulo II, tem seu fundamento definitivo, ou seja, a base da vivência das duas vocações, o mistério da redenção do corpo.

E é justamente sobre a realidade do sacramento do matrimônio que o Papa agora dedicará grande parte de seu discurso. Neste ciclo da Teologia do Corpo foram proferidas 16 catequeses, entre os dias 28 de julho e 15 de dezembro de 1982. Como nos demais ciclos, São João Paulo II continua a utilizar como ponto de partida para sua reflexão a Sagrada Escritura, porém desta vez ele não se baseará nas palavras de Cristo, mas na palavra de São Paulo aos Efésios. Esta passagem chave, que se encontra no capítulo 5, entre os versículos 21 a 33, para muitos dos que se dedicam a propagar a Teologia do Corpo, é considerada o centro de todas as catequeses, pois a definição que o apóstolo faz da missão do marido e da esposa e a referência dos dois com Cristo e a Igreja, são o ponto máximo das suas reflexões acerca do amor humano.

Sobre a importância desta passagem de São Paulo aos Efésios para a Teologia do Corpo, o Papa afirma que: “Tudo o que está contido na passagem da Epístola aos Efésios constitui quase a ‘coroação’ daquelas outras sintéticas palavras chave.” (TdC 87). Estas palavras chaves que ele citou são as que se referem ao ‘homem original’ (Mt 19, 4) ao ‘homem histórico’ (Mt 5, 28) e ao ‘homem escatológico’ (Mt 22, 30). O Papa continua: “Se delas brotou a Teologia do Corpo nas suas linhas evangélicas, simples e ao mesmo tempo fundamentais, é necessário, em certo sentido pressupor esta teologia e interpretar a mencionada passagem da Epístola aos Efésios. E por isso, se se quer interpretar esta passagem, é necessário fazê-lo à luz do que nos disse Cristo sobre o corpo humano.” (TdC 87)

Embora seja um trecho bíblico muito conhecida no âmbito da liturgia e das celebrações do sacramento do matrimônio, esta passagem é muito mal compreendida, principalmente no tempo de hoje, no onde a ‘submissão’ chega a ser um termo rejeitado e até mesmo combatido devido a luta pela ‘igualdade’ dos sexos. Após a revolução sexual e de tantos outros movimentos que surgiram no século XX, dizer que o homem é a ‘cabeça da mulher’ ou que a mulher deve ser ‘submissa ao seu marido’, tornou-se motivo de repulsa e indignação. Infelizmente as pessoas não compreenderam a mensagem de São Paulo, seja por ignorância ou por má vontade, pois o versículo 21, o primeiro e, portanto, introdutório, deixa claro o parâmetro de tudo o que será dito em seguida: “Sujeitai-vos uns aos outros no temor a Cristo” (Ef 5, 21). O ensinamento de Cristo é o sentido e a finalidade desta submissão que antes de tudo deve ser recíproca (‘uns aos outros’) e que em segundo lugar tem de fato uma ‘prevalência’ do homem em relação a mulher. São Paulo deixa claro: ‘Pois o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja’ (Ef 5, 23), e em outras traduções chega a dizer ‘chefe’, o que gera uma revolta ainda maior. Porém, para o cristianismo, o que significa ser ‘chefe’? Sobre isso Jesus não ensinou só com palavras, mas com gestos e com a própria vida. O líder é aquele que serve a todos, Jesus ensinou isso na última ceia quando lavou os pés dos discípulos, e acima de tudo quando deu sua vida na Cruz. Por isso São Paulo afirma: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.” (Ef 5. 25). Ele amou a Igreja dando a sua vida por ela.

Neste sentido, a profundidade do ensinamento de São Paulo alcança a vida comum de todos os casais casados, no qual o homem deve se doar a sua esposa e a sua família, ao ponto de sacrificar a sua vida por eles. Mas isso não só de modo extraordinário, ao ser capaz de morrer pela esposa por exemplo, mas ordinariamente ao se colocar em último lugar, ao preferir o maior conforto para ela, ao sacrificar suas próprias vontades, seu descanso, suas preferências, etc. Claro que este sacrifício deve ser recíproco, mas ao homem cabe o primeiro movimento, pois se na analogia esponsal o marido se refere a Cristo, foi Ele que amou e se entregou primeiro. Agora, caso haja alguma mulher que não esteja disposta a se submeter ao um homem cuja missão de sua vocação seja ama-la ao ponto de morrer por ela, esta mulher não pode ser cristã, pois ser cristão implica em submeter a sua vida a um Homem que foi capaz de morrer por ela.

Porém não se deve jamais perder de vista a importância da reciprocidade desta submissão. Sobre isso Papa afirma que: “A fonte desta recíproca submissão está na pietas (piedade) cristã, e a sua expressão é o amor.” (TdC 89). São João Paulo II aprimora a reflexão em outra catequese: “Ainda que os cônjuges devam ser ‘submissos uns aos outros, como ao Senhor’ (isto foi posto em evidência já no primeiro versículo do texto citado), todavia, no que se segue, o marido é acima de tudo aquele que ama, e a mulher em contraste, é aquela que é amada. Pode-se-ia mesmo levantar a ideia de que a ‘submissão’ da mulher ao marido, entendida no contexto do trecho completo da Epístola aos Efésios, significa acima de tudo ‘experimentar o amor’. Tanto mais que esta submissão’ se refere à imagem da submissão da Igreja a Cristo, a qual certamente consiste em experimentar o Seu amor.” (TdC 92).

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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