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Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #18: O maniqueísmo

A Igreja sempre afirmou desde o início com os santos padres e confirmado nos primeiros Concílios, que ‘a carne é o eixo da salvação’ (Caro salutis est cardo). O Catecismo da Igreja Católica em seu parágrafo 1015 diz: “Cremos em Deus, que é o criador da carne; cremos no Verbo feito carne para redimir a carne; cremos na ressurreição da carne, consumação da criação e da redenção da carne.” (Tertuliano). Deste modo, podemos afirmar que a carne, ou seja, o corpo, traz em si um significado teológico muito forte, que inclusive levou São João Paulo II a dedicar o princípio do seu pontificado nesta reflexão. Ele mesmo diz na catequese do dia 2 de abril de 1980, para justificar o termo ‘Teologia do Corpo’: “Pelo fato de o Verbo de Deus se ter feito carne, o corpo entrou, eu diria, pela porta principal da teologia.” (TdC 23).

O pensamento que caminha na contramão da fé da Igreja, neste sentido, é o maniqueísmo. Esta heresia que surgiu no século III, tem suas raízes no gnosticismo, pois a essência de seus princípios está no dualismo entre o bem e o mal. O filósofo Maniqueu (ou Manes), afirmava que toda a matéria é essencialmente má, e somente o espírito é bom, deste modo para elevarmos nosso espírito era necessário reprimir e subjugar o corpo material com, por exemplo, duras penitências e abstinência sexual. Este pensamento invadiu a fé cristã nos primeiros séculos, prova disso é que até Santo Agostinho, antes de se tornar verdadeiramente cristão, foi maniqueísta. Porém, é possível percebem ainda hoje este pensamento no mundo moderno, tanto que o termo ‘maniqueísmo’ se tornou um adjetivo de oposição e dualidade, mas o principal prejuízo que este pensamento gerou foi a ideia de que o corpo é mal, e, portanto, tudo o que dele provém.

São João Paulo II fala deste pensamento herético nas suas catequeses sobre a Teologia do Corpo, afirmando que: “O maniqueísmo via a fonte do mal na matéria, no corpo, e proclamava, portanto, a condenação de tudo o que no homem é corpóreo. E como no homem a corporeidade se manifesta acima de tudo através do sexo, a condenação era estendida ao matrimônio e a convivência conjugal, e a todas as outras esferas do ser e do atuar, em que se exprime a corporeidade.” (TdC 44). O corpo, porém, não pode receber esta definição, pelo simples fato de ter sido criado por Deus que é pura bondade e por isso não pode criar nada mal. A maldade entrou no mundo não pelas mãos de Deus, mas do próprio homem, pela sua desobediência. Mas do mesmo modo não podemos dizer que foi o corpo do homem que pecou, isso seria um reducionismo, pois foi todo o homem que o cometeu, partindo inclusive da intenção má de seu interior. Sobre isso, o Papa acrescenta: “As pessoas portanto procuravam descobrir – e às vezes viam – tal condenação (do corpo) no Evangelho, encontrando-o onde foi pelo contrário expressa exclusivamente uma exigência particular dirigida ao espírito humano.” (TdC 44).

Como o próprio Papa diz, a visão sobre o corpo e a sexualidade foram totalmente deturpadas, já que o sexo é em sua essência algo bom e desejado por Deus, porém quando tomado pela impureza e pela má intenção, torna-se uma via de pecado. Mas esta impureza e esta intenção, não provém do corpo, simplesmente, mas do ‘coração’ humano, como diz Jesus no capítulo 5 do Evangelho segundo Mateus. Ao conduzir o homem ao seu interior, Ele está também dizendo de onde provém a maldade. Em outro momento Jesus diz que: Entretanto, as coisas que saem da boca vêm do coração e são essas que tornam uma pessoa impura.” (Mt 15, 18). Neste sentido, podemos dizer que o mal não está, inicialmente, no exterior, mas surge primeiramente do espírito que habita dentro.

Para concluir sobre este assunto São João Paulo II diz que: “A interpretação das palavras de Cristo, segundo Mateus 5, 27-28, como também, a ‘prática’ na qual se realiza sucessivamente autêntico ethos do Sermão da Montanha, devem ser completamente livres de elementos maniqueístas no pensamento e na atitude.” (TdC 45). Portanto, esta dicotomia, entre corpo mal e espírito bom devem ser abolidos do nosso imaginário, do nosso conceito de ser humano e principalmente da nossa fé. O maniqueísmo, que de certo modo possui resquícios na modernidade, precisa ser novamente confrontado, mas agora com a verdade que emana da Teologia do Corpo.

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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