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Formações Teologia do Corpo

Série Teologia do Corpo #8: A nudez original

Na catequese do dia 12 de dezembro de 1979, o Papa João Paulo II vem sintetizar este primeiro momento da Teologia do Corpo que se refere ao “princípio” falando sobre a nudez original e como estes três fatores: solidão, unidade e nudez, formam as primeiras experiências humanas, que por sua vez compõe a subjetividade dos primeiros: homem e mulher. Como esta catequese possui um texto de fácil compreensão, optei neste artigo em trazer um trecho da catequese, no qual o próprio Papa fala da terceira experiencia do homem original: a nudez.

Baseados nas análises até agora feitas, pudemos dar-nos conta de aquilo que chamamos no princípio «revelação do corpo», nos ajudar dalgum modo a descobrir o extraordinário do que é ordinário. Isto é possível porque a revelação (a original, que encontrou expressão, primeiro na narrativa javista de Gênesis 2-3, e depois no texto de Gênesis 1) considera precisamente essas experiências primordiais em que aparece de maneira quase completa a absoluta originalidade daquilo que é o ser humano varão e mulher: enquanto homem, isto é, também através do seu corpo. A experiência humana do corpo, tal como a descobrimos nos textos bíblicos citados, encontra-se sem dúvida no limiar de toda a experiência «histórica» sucessiva. Parece, todavia, basear-se em tal profundidade ontológica, que o homem não a capta na própria vida quotidiana, embora, entretanto e em certo modo, a pressuponha como parte do processo de formação da sua imagem.

Sem tal reflexão introdutória, seria impossível precisar o significado da nudez original e realizar a análise de Gênesis 2, 25, que diz assim: Estavam ambos nus, tanto o homem como a mulher, mas não sentiam vergonha. À primeira vista, o aparecer este particular, aparentemente secundário, na narrativa javista da criação do homem, pode parecer coisa sem valor e mesmo fora de propósito. Poderia julgar-se que a passagem citada não tem comparação com aquilo de que tratam os versículos precedentes e que, em certo sentido, não se harmonizam com o contexto. Todavia, este pensamento não resiste a uma análise aprofundada. Com efeito, Gênesis 2, 25 apresenta um dos elementos-chaves da revelação original, tão determinante como os outros textos do Gênesis (2, 20 e 2, 23), que já nos permitiram precisar o significado da solidão original e da original unidade do homem. A estes vem juntar-se, como terceiro elemento, o significado da nudez original, com clareza posto em evidência no contexto; e ele, no primeiro esboço bíblico da antropologia, não é coisa acidental. Pelo contrário, forma precisamente a chave para a sua plena e completa compreensão.

               

São João Paulo II apresenta também a realidade da nudez original em paralelo a experiência do homem e da mulher após o pecado. Ele compara a passagem de Gêneses 2, versículo 25, no qual o homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam, com a consequência da vergonha do corpo proporcionada pelo pecado cometido: “Tal mudança diz respeito diretamente à experiência do significado do próprio corpo diante do Criador e das criaturas. O que é confirmado pelas palavras do homem: Ouvi o ruído dos teus passos no jardim, e, cheio de medo, porque estou nu, escondi-me (Gên 3, 10). Mas em particular aquela mudança, que o texto javista delineia de modo tão conciso e dramático, diz respeito diretamente, talvez do modo mais direto possível, à relação homem-mulher, feminilidade-masculinidade”. Deste modo, podemos dizer que a experiência da nudez original está diretamente ligada a forma como o homem e a mulher se veem mutuamente, ou como enxergam seus corpos. A vergonha passa a existir, pois agora o medo da cobiça alheia, que antes não existia, passa a dominar o olhar de ambos.

               

O Papa conclui esta catequese demonstrando como o elemento da nudez original vem se juntar a solidão e a unidade como fatores necessários para se compreender a realidade do homem do princípio, ou homem original. A partir daí ao falar do homem histórico e do homem escatológico, será formada a consciência do homem integral, ou como João Paulo II chama “antropologia adequada”, ou seja, as questões que envolvem de sua origem, o sentido de sua existência e o seu destino.

Por Valdo Júnior | Missão Maria de Nazaré

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