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Eduardo Rivelly e Dom José Carlos participaram de Seminário que debateu redução da maioridade penal

A Prefeitura Municipal de Carmo do Cajuru, por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social e Defesa Civil, juntamente com o Conselho Municipal da Criança e Adolescente (CMDCA), com apoio do Conselho Estadual da Criança e Adolescente (CEDCA), da Frente de Defesa e Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (SEDESE) Regional de Divinópolis promoveu, hoje, 29/07,  no CEMEI de Carmo do Cajuru,  o  I Seminário Regional em Comemoração aos 24 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é uma lei federal promulgada em julho de 1990, que trata sobre os direitos das crianças e adolescentes em todo o Brasil.

A Lei tem como objetivo de proteger crianças e adolescentes sem distinção de raça, cor ou classe social, passaram a ser reconhecidos como sujeitos de direitos e deveres, considerados como pessoas em desenvolvimento a quem se deve prioridade absoluta do Estado.

Estiveram presentes no seminário, o bispo Dom José Carlos, o Vice Presidente do Conselho Estadual da Criança e Adolescente (CEDCA), Dr. Ananias Neves, o prefeito da cidade de Carmo do Cajuru, José Clarete Pimenta, Conselheiros Tutelares, Conselheiros Municipais da Criança e Adolescente, técnicos da Assistência Social e Gestores Municipais Mineiros de 28 cidades do estado de Minas Gerais.

A composição da mesa de abertura se deu às 10 horas, onde o bispo diocesano também compôs a mesa e proferiu uma mensagem inicial. Logo após a abertura do seminário, aconteceu o primeiro debate, onde participaram o Dr. Ananias Neves, onde ele falou sobre o Rebaixamento de Idade Penal, deixando bem claro que é totalmente contra a redução da maioridade penal. Em seguida, Dom José Carlos tomou a palavra e falou sobre a Posição da Igreja Católica na questão do Rebaixamento da Idade Penal. Confira na íntegra o pronunciamento de Dom José Carlos:

Dom José Carlos foi acompanhado pelo Padre Marcelo Francisco, coordenador diocesano da Pastoral da Juventude, e pelo Eduardo Rivelly, fundador e moderador da Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré.

Seminário

 

 

 

 

 

 

 

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou  uma nota sobre a redução da maioridade penal, no dia 16 de maio de 2013, durante coletiva de imprensa, que apresentou o balanço da reunião do Conselho Episcopal Pastoral (CONESP).  A CNBB “reafirma que a redução da maioridade não é a solução para o fim da violência”. Assim, a “Igreja no Brasil continua acreditando na capacidade de regeneração do adolescente quando favorecido em seus direitos básicos e pelas oportunidades de formação integral nos valores que dignificam o ser humano”.

 

Confira na íntegra nota emitida pela CNBB:

 

 

Nota da CNBB sobre a redução da maioridade penal

 

O debate sobre a redução da maioridade penal, colocado em evidência mais uma vez pela comoção provocada por crimes bárbaros cometidos por adolescentes, conclama-nos a uma profunda reflexão sobre nossa responsabilidade no combate à violência, na promoção da cultura da vida e da paz e no cuidado e proteção das novas gerações de nosso país.

A delinquência juvenil é, antes de tudo, um aviso de que o Estado, a Sociedade e a Família não têm cumprido adequadamente seu dever de assegurar, com absoluta prioridade, os direitos da criança e do adolescente, conforme estabelece o artigo 227 da Constituição Federal. Criminalizar o adolescente com penalidades no âmbito carcerário seria maquiar a verdadeira causa do problema, desviando a atenção com respostas simplórias, inconsequentes e desastrosas para a sociedade.

A campanha sistemática de vários meios de comunicação a favor da redução da maioridade penal violenta a imagem dos adolescentes esquecendo-se de que eles são também vítimas da realidade injusta em que vivem. Eles não são os principais responsáveis pelo aumento da violência que nos assusta a todos, especialmente pelos crimes de homicídio. De acordo com a ONG Conectas Direitos Humanos, a maioria dos adolescentes internados na Fundação Casa, em São Paulo, foi detida por roubo (44,1%) e tráfico de drogas (41,8%). Já o crime de latrocínio atinge 0,9% e o de homicídio, 0,6%. É, portanto, imoral querer induzir a sociedade a olhar para o adolescente como se fosse o principal responsável pela onda de violência no país.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ao contrário do que se propaga injustamente, é exigente com o adolescente em conflito com a lei e não compactua com a impunidade. Ele reconhece a responsabilização do adolescente autor de ato infracional, mas acredita na sua recuperação, por isso propõe a aplicação das medidas socioeducativas que valorizam a pessoa e lhe favoreçam condições de autossuperação para retornar a sua vida normal na sociedade. À sociedade cabe exigir do Estado não só a efetiva implementação das medidas socioeducativas, mas também o investimento para uma educação de qualidade, além de políticas públicas que eliminem as desigualdades sociais. Junta-se a isto a necessidade de se combater corajosamente a praga das drogas e da complexa estrutura que a sustenta, causadora de inúmeras situações que levam os adolescentes à violência.

Adotada em 42 países de 54 pesquisados pela UNICEF, a maioridade penal aos 18 anos “decorre das recomendações internacionais que sugerem a existência de um sistema de justiça especializado para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos” (UNICEF). Reduzi-la seria “ignorar o contexto da cláusula pétrea constitucional – Constituição Federal, art. 228 –, além de confrontar a Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente, as regras Mínimas de Beijing, as Diretrizes para Prevenção da Delinquência Juvenil, as Regras Mínimas para Proteção dos Menores Privados de Liberdade (Regras de Riad), o Pacto de San José da Costa Rica e o Estatuto da Criança e do Adolescente” (cf. Declaração da CNBB contra a redução da maioridade penal – 24.04.2009).

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido em Brasília, nos dias 14 a 16 de maio, reafirma que a redução da maioridade não é a solução para o fim da violência. Ela é a negação da Doutrina da Proteção Integral que fundamenta o tratamento jurídico dispensado às crianças e adolescentes pelo Direito Brasileiro. A Igreja no Brasil continua acreditando na capacidade de regeneração do adolescente quando favorecido em seus direitos básicos e pelas oportunidades de formação integral nos valores que dignificam o ser humano.

Não nos cansemos de combater a violência que é contrária ao Reino de Deus; ela “nunca está a serviço da humanidade, mas a desumaniza”, como nos recordava o papa Bento XVI (Angelus, 11 de março de 2012). Deus nos conceda a todos um coração materno que pulse com misericórdia e responsabilidade pela pessoa violentada em sua adolescência. Nossa Senhora Aparecida proteja nossos adolescentes e nos auxilie na defesa da família.

 

Brasília, 16 de maio de 2013

 

Dom José Belisário da Silva

Arcebispo de São Luís do Maranhão

Presidente da CNBB em exercício

 

Dom Sergio Arthur Braschi

Bispo de Ponta Grossa

Vice-Presidente da CNBB em exercício

 

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

 

 

 

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Fonte: Site da Diocese de Divinópolis | Túlio Veloso

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