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Serviço de Família Acolhedora é implantado em Divinópolis

No dia 10 de dezembro de 2018 o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora do município de Divinópolis iniciou suas atividades. A Missão Maria de Nazaré buscava a implantação do Serviço desde 2015, com objetivo de oferecer uma nova modalidade de acolhimento menos danosa para as crianças e adolescentes que necessitam ser retiradas de sua família por determinação judicial.

Segundo Rita Angélica, atual assistente social do serviço em Divinópolis o Família Acolhedora é uma modalidade de acolhimento garantida pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que acolhe, temporariamente, por determinação judicial, crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados. Salienta que o serviço conta com famílias previamente cadastradas e capacitadas que garantirão um cuidado individualizado e também o direito à convivência familiar e comunitária.

Os acolhidos permanecem nos lares até o retorno para a família de origem ou, se não for possível, o encaminhamento para adoção. O serviço é o responsável por selecionar, capacitar, cadastrar e acompanhar as famílias interessadas, bem como realizar o acompanhamento da criança e/ou adolescente acolhido e de sua família de origem.

Apesar de ser uma novidade no município de Divinópolis o serviço já funciona em diferentes estados e em cidades da região como Carmo do Cajuru e Lagoa da Prata. De acordo com o censo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) de 2016, o serviço de acolhimento está presente em 522 municípios brasileiros e, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), há 2,341 mil famílias cadastradas para acolher 1,837 mil crianças e adolescentes. Até fevereiro de 2019 o serviço em Divinópolis conta com 15 famílias capacitadas e 5 acolhimentos encaminhados pelo judiciário e em execução.

Marcos Vinicius que acolheu uma criança de dois anos juntamente com sua esposa Pâmela Aila conta “desde que ele chegou nossa rotina foi alterada, mas já percebemos mudanças para melhor em nossa casa. Até a nossa forma de dialogar como casal teve mudanças, foi um elo a mais em nosso casamento. Com o acolhimento dele temos ainda mais convívio. Novas preocupações, mas também novas experiências e alegrias. Estou me sentindo muito bem, com uma sensação de dever cumprido. Estou contribuindo para que uma criança não esteja institucionalizada e, por menor que seja minha casa, ela se tornou um lar para uma criança que não pode permanecer com sua família nesse período. Por mais que pareça que estamos ajudando de alguma forma, somos nós que também estamos recebendo muito em troca”.

 

PERÍODO DE PREPARAÇÃO PARA O ACOLHIMENTO

O primeiro passo para se tornar uma Família Acolhedora é entrar em contato com a equipe de serviço via e-mail ou telefone, para compreender os critérios adotados para a realização do acolhimento. Os contatos são (37) 3212-8557, ramal 207 ou (37)98822-6656 e [email protected]

Após os interessados participam de capacitação, entrevistas, recebem visitas domiciliares e é realizada uma avaliação técnica dos documentos que são apresentados após a solicitação dos técnicos.

Todo o processo de preparação conta com psicólogo e assistente social que compõem a equipe técnica do Serviço. Sempre são trabalhados temas como o apego e o desapego, tanto nas visitas domiciliares como nos atendimentos individual onde buscam muito dialogo e acompanhamento para que todas as expectativas geradas sejam condizentes com a realidade.

 

BENEFÍCIOS PARA AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES 

Entre os benefícios do acolhimento familiar, está a garantia dos direitos das crianças e adolescentes, principalmente de convivência e dos cuidados individualizados da criança ou adolescente que atravessa a etapa de afastamento de sua família de origem.

Em pesquisa realizada e intitulada Projeto de Intervenção Precoce de Bucareste (PIPB) que teve início em 2001 e foi o primeiro estudo na área da assistência social que focou nos efeitos de diferentes formas de acolhimento na vida de crianças foi realizado um estudo aprofundado de diferentes dimensões do desenvolvimento humano, tais como o desenvolvimento físico, linguagem, funcionamento social/emocional, cognição, inteligência, temperamento, capacidade de se vincular a um adulto, função cerebral, anatomia do cérebro, psicopatologia dentre outros.

Foram examinadas mais de 180 crianças e após inúmeras avaliações das crianças envolvidas no estudo, os pesquisadores verificaram que a institucionalização precoce levou a profundos déficits e atrasos nos comportamentos cognitivos (QI) e sócio-emocionais (ex. capacidade de se vincular). Houve uma incidência extremamente elevada de transtornos psiquiátricos e foram constatadas diferenças na atividade elétrica cerebral. Concluindo assim que o acolhimento familiar traz menos danos para as crianças e adolescentes do que a institucionalização.

 

CRITÉRIOS PARA SE TORNAR MA FAMÍLIA ACOLHEDORA

Os pré-requisitos para ser Família acolhedora em Divinópolis são:

  • Idade mínima 25 anos;
  • Residir no município;
  • Todos os membros da família devem concordar;
  • Interesse em proteção e afeto;
  • Não ter interesse em adotar;
  • Ciência que o acolhimento é temporário e excepcional;
  • Disponibilidade afetiva;
  • Disponibilidade para participar da habilitação e atividades do serviço;
  • Não usar e nem ter membro da família em uso de substancias psicoativas.

Sua ajuda é essencial para o bom êxito da implantação desse projeto. Para mais informações e dúvidas entre em contato com a equipe na sede da comunidade católica Missão Maria de Nazaré na Rua Espírito Santo, 2200, bairro Alto São Vicente, o telefone de contato é (37) 3212-8557, ramal 207 ou (37)98822-6656. “Família Acolhedora: A tempestade passa, a vida continua!”.